terça-feira, 10 de maio de 2016

Brasil troca de piloto em pleno voo


Após a aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados, com uma votação folgada, a sua ratificação pelo Senado parece certa, até para a bancada governista. Assim ocorrendo, a presidente será afastada, por até 180 dias. Neste período, em que o Senado faz o julgamento do processo, o vice-presidente assume o comando de um Brasil econômica e politicamente abalado. Teremos um novo piloto para um avião com uma turbina pegando fogo e passageiros em pânico. O novo piloto, ou novo presidente, tem uma difícil missão. Ele precisa trocar a tripulação, apagar o incêndio e aliviar o peso da aeronave. Tudo isso em pleno voo. Será que dá para consertar e continuar na rota?

É preciso ver o lado bom da coisa. A “piloto” anterior estava sem muitas opções. Tinha excesso de carga. Trinta e um ministérios e sucursais superlotados de cargos negociados para obtenção de maioria de votos no congresso nacional, necessários para aprovação de seus interesses. É difícil administrar sem poder desagradar tanta gente. Projetos mal concebidos, mal administrados e escândalos de corrupção vindo a tona, trouxeram prejuízos nunca antes vistos na história deste país. As “pedaladas” foram expostas e condenadas. Veio a inflação, as demissões, o fechamento de empresas e a fuga de investidores do Brasil. O povo não aguentou. Os “passageiros” manifestaram-se aos gritos. Pane geral! O avião ameaça cair. Só a troca urgente do comandante parecia poder salvar a todos. 

No caso do afastamento da presidente, o novo presidente tem mesmo a chance para mudar a situação. Apoio ele tem, os números não mentem. Na Câmara apenas 27 por cento dos deputados votaram pela permanência da atual presidente. O novo presidente é um influente líder no maior partido político do Brasil, em número de filiados, prefeitos, vereadores, e tem a maior representação no Congresso Nacional. Há quem defenda que até bem pouco tempo este partido era de “situação”. A verdade é que, até então, o papel do vice-presidente era claramente figurativo nas políticas de governo. Era como um co-piloto experiente que só serviu para checar os instrumentos antes da decolagem. 

O momento é delicado. Neste caso, a “tripulação” tem de ser escolhida pelo critério de capacidade profissional. Estes gestores terão de ser os melhores disponíveis, sejam eles vindos da oposição ou da situação. A máquina tem de ser enxugada ao máximo. O exemplo tem de vir de cima. A prioridade do governo deve ser o bem-estar do povo. A inflação tem de ser freada e os investimentos estruturantes tem de ser implantados com precisão milimétrica. A “lava-jato” tem de continuar e o judiciário deve ser fortalecido. Esses 180 dias iniciais podem salvar-nos do desastre eminente. Mais do que uma mera troca de comandantes, o Brasil tem a oportunidade de mostrar ao mundo que, para continuar na rota certa, tem um povo que cobra e resolve suas “panes” em pleno voo. 

Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Ajunto da Universidade Federal do Cariri
Doutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 10/05/2016

2 comentários:

William Quezado disse...

Muito boa e explicativa a sua análise da situação atual de nosso país. Realmente,
foi uma situação muito difícil de governabilidade da atual gestora, porém, recheada de muita corrupção com sua conivência e participação. Só nos resta esperar do novo presidente mais responsabilidade e comprometimento com o povo brasileiro. Que Deus abençoe nosso país!

Dimas de Castro e Silva Neto disse...

Obrigado primo!
O momento é delicadíssimo e não há espaço para "gambiarras". Se a presidenta for afastadas mesmo o substituto tem de convocar o melhor do melhor e apertar o cinto!
Grande abraço!!!