Com o afastamento de Dilma, Michel Temer realiza o sonho da maioria dos políticos, ser Presidente da República. Certamente, um homem como ele, aos 75 anos, advogado, professor universitário e com longa carreira na vida pública, sabe que não seria fácil tirar o país desse buraco. Ademais, assumir a presidência significaria ter a obrigação de reverter este quadro, sob pena de ter sua carreira manchada eternamente como o presidente que teve sua chance, e não deu certo. Como diz o provérbio Judaico: "Cuidado com o que desejas, pois poderás ser atendido".
A julgar
pelos seus movimentos iniciais, de preparar a transição para um possível
governo interino durante o processo do impeachment, pareceu adequado. Foi
discreto e tentou, nos bastidores montar seu ministério, enxuto e norteado pelo
mérito técnico. Começaram justo ai as limitações. A imprensa divulgou nomes indicados pelos
partidos “aliados”, para que o possível governo tivesse maioria na câmara e
pudesse aprovar as medidas de ajuste. O embrolho é tão grande que até nomes citados na “Lava-jato” agora são
Ministros. Entre a cruz e a espada, mais uma vez, governar não parece tarefa de
fazer o que é necessário, mas de fazer o que é possível.
Acredito
que o presidente tem plena ciência de tudo, e até boa fé, mas assumiu o risco de administrar o caos. Mal
comparando, é como se um time com uma grande torcida, que tivesse atravessando
um péssimo momento, trocasse de técnico e dissesse a ele: “Olha, você tem
obrigação de montar um time pra ganhar o campeonato, mas só vai poder escalar metade do
time, a outra metade tem que deixar quem já estava jogando”. Temer presidiu a Câmara dos
Deputados em três oportunidades, e é considerado profundo conhecedor das
engrenagens do congresso. O problema é não ter “carta branca” para escolher os
“jogadores” e ter como adversário uma esquerda que não desiste até que o juiz
apite o fim da partida.
Temer tem 6
meses de governo para mostrar para que veio. Em poucos dias a população emitirá
as suas primeiras impressões sobre seu governo. Se continua ou não no
cargo, vai depender do resultado do julgamento da Presidenta. E que ele abra o
olho, pois diferentemente do que se anunciou na imprensa, 55 votos pelo
impeachment não é larga vantagem quando se precisa de 53 para Dilma voltar ao poder. Num Brasil de “dossiês”, dois Senadores podem mudar
rapidamente seus votos, dependendo dos “agrados”. Para o bem da nação, espero e
rezo para que tudo seja como parece não ser.
Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Ajunto da Universidade Federal do Cariri
Doutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 17/05/2016

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