
O dia 03 de outubro se aproxima e lembro que, no já distante setembro de 2008, eu idealista e moderado, sugeria no artigo “Melhores processos, melhores gestores”, que a evolução do atual “sistema” deveria deixar de cobrar de nossos representantes apenas a prestação de contas (Ficha Limpa) do dinheiro público, melhor sendo: apresentar um projeto de governo, apontando metas... e haver uma consulta ao final do mandato, para apontar o grau de satisfação do eleitor ao trabalho prestado pelo empossado, podendo esta inclusive vetar uma investidura deste a um outro cargo público. Hoje, diante de tantos casos de corrupção, em todas as esferas e em todo país, de sua banalização e adoção generalizada, sinto-me um sonhador. Vejo ricos homens, doutores até, gastando milhões de reais em campanhas para deputado estadual, federal, senador e governador. A troco de que?
Vamos fazer uma conta. Um deputado, por exemplo, que recebendo um salário de aproximadamente 12.000,00 reais, por mês, teria em quatro anos, caso não gastasse um tostão, acumulado cerca R$ 600.000,00. Que bem feitor é esse que gasta R$ 1.500.000,00 pra se eleger e tem um prejuízo de quase 1.000.000,00 de reais? Essa conta tá errada! O que faz com que tantos almejem, com tanta vontade, um cargo destes? A certeza de estar protegido pela máquina, de praticar tráfico de influência livremente, de poder negociar ementas para prefeitos e/ou governadores que por sua vez negociam com empresários e empreiteiros seu famoso “percentual”. Tem algum brasileiro na face da terra que não sabe que o “esquema” funciona assim? O pior é que parece que nos adaptamos tudo isso. É fácil escutar numa roda de conversa: Vou votar nesse porque ele rouba, mas faz! Porque pelo menos é meu amigo! Porque pelo menos vai me fazer um favor! Porque, pelo menos, apertou a minha mão! Contentar-se com “pelo menos” é assinar em branco o contrato que diz: você me dá seu voto e eu resolvo o que vou fazer com parte dos teus impostos durante 4 anos.
Assisto a tudo isso descrente neste sistema falido, descrente no homem que vê tudo isso e acredita que está tudo bem, tudo certo, normal! Assisto a iniqüidade política imperando. Hoje fazemos um Brasil sem “eles”, pagando o dobro para que sobre a metade para esta corja! O salto, o Brasil que o Brasil merece, limpo, virá? Quando? Quando formos um povo mais culto, mais inconformado com injustiças, menos irresponsáveis e mais corajosos para dizer não a tudo isso. Você apertaria a mão de alguém que tivesse te roubado algum dinheiro? Enquanto isso, plagiando o personagem de Chico Anísio, Justo Veríssimo, “eles” dizem: “Eu quero é que o povo se exploda!”
Dimas de Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 28/09/2010.
Vamos fazer uma conta. Um deputado, por exemplo, que recebendo um salário de aproximadamente 12.000,00 reais, por mês, teria em quatro anos, caso não gastasse um tostão, acumulado cerca R$ 600.000,00. Que bem feitor é esse que gasta R$ 1.500.000,00 pra se eleger e tem um prejuízo de quase 1.000.000,00 de reais? Essa conta tá errada! O que faz com que tantos almejem, com tanta vontade, um cargo destes? A certeza de estar protegido pela máquina, de praticar tráfico de influência livremente, de poder negociar ementas para prefeitos e/ou governadores que por sua vez negociam com empresários e empreiteiros seu famoso “percentual”. Tem algum brasileiro na face da terra que não sabe que o “esquema” funciona assim? O pior é que parece que nos adaptamos tudo isso. É fácil escutar numa roda de conversa: Vou votar nesse porque ele rouba, mas faz! Porque pelo menos é meu amigo! Porque pelo menos vai me fazer um favor! Porque, pelo menos, apertou a minha mão! Contentar-se com “pelo menos” é assinar em branco o contrato que diz: você me dá seu voto e eu resolvo o que vou fazer com parte dos teus impostos durante 4 anos.
Assisto a tudo isso descrente neste sistema falido, descrente no homem que vê tudo isso e acredita que está tudo bem, tudo certo, normal! Assisto a iniqüidade política imperando. Hoje fazemos um Brasil sem “eles”, pagando o dobro para que sobre a metade para esta corja! O salto, o Brasil que o Brasil merece, limpo, virá? Quando? Quando formos um povo mais culto, mais inconformado com injustiças, menos irresponsáveis e mais corajosos para dizer não a tudo isso. Você apertaria a mão de alguém que tivesse te roubado algum dinheiro? Enquanto isso, plagiando o personagem de Chico Anísio, Justo Veríssimo, “eles” dizem: “Eu quero é que o povo se exploda!”
Dimas de Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 28/09/2010.