A tal INFRAESTRUTURA é uma das
palavras mais escutadas por ai hoje em dia, mas o que diabo é isso? Com o
advento da Copa, das Olimpíadas e da estagnação da economia, nos últimos 2
anos, todo mundo agora bota a culpa na INFRAESTRUTURA, ou da falta dela! Temos
uma grande “gambiarra” de sistemas públicos insuficientes, e ineficientes,
demonstrados através dos altíssimos índices de criminalidade, violência no trânsito,
falta de credibilidade nos sistemas públicos de educação, saúde, transporte,
lazer, esporte e por ai vai! E agora? Como resolver essa “bronca”?
Durante muitos anos o Brasil foi
visto como país subdesenvolvido, dono das maiores taxas de mortalidade, índices
de inflação astronômica e de uma dívida externa impagável. Hoje, passados 30
anos, a realidade mudou um pouco. Veio a globalização, a necessidade por nossas
matérias-primas, os planos econômicos, as privatizações, as parcerias
público-privadas e o panorama é outro. Desde o Plano Real os governos vem
conseguindo manter a inflação sob “controle” e o salário mínimo tem reajustes
anuais. Criaram-se “n” programas sociais que repassam dinheiro a famílias de
baixa ou nenhuma renda comprovada, as famosas bolsas. Pólos de desenvolvimento
industrial e comercial se formaram e há muito deixamos de ser rurais e nos
tornamos uma população urbana.
Hoje o Brasil faz parte do BRICS!
Pagou sua dívida ao “famigerado” FMI, vende matéria-prima pra todo mundo,
deixou de ter os EUA como maior importador e mantém a inflação “controlada”, a
duras penas, promovendo assim uma perigosa capacidade de endividamento para os
cidadãos brasileiros. Nasceram então as classes B, C, D e E, oriundas das
antigas classes de trabalhadores e miseráveis que agora adquiriram bens e
serviços antes inimagináveis: eletrodomésticos, motos, carros, casas e viagens.
Ai é que ta o problema! Não houve
preocupação, nem preparo para essa transição. Quando as cidades, hoje grandes,
eram pequenas havia poucos carros, motos, televisores, telefones, hospitais, praças,
saneamento, lixo, escolas publicas, ônibus, trens, poucas ruas largas e
pavimentadas. A tal INFRAESTRUTURA não acompanhou o passo. Temos hoje uma
herança maldita! A violência urbana é reflexo de governos que não usaram o
dinheiro público adequadamente. Faltou preparo, seriedade, trabalho e
planejamento para prover as obras, equipamentos e serviços que essa população
agora necessita. Arrecadação não falta! O Brasil tem um dos maiores impostos do
mundo, para tudo!
Falta-nos escolher melhor nossos
representantes. Não gosto nem de chamar de governantes, porque fica um certo ar
de superioridade quando na verdade o “cabra” devia estar lá era para dar um
jeito de transformar nosso suado dinheiro em bem-estar para nós, contribuintes.
Vamos deixar essa historinha de vender ou trocar nosso voto, porque o cabra vai
mandar no “nosso” dinheiro os 4 anos de mandato! Espero e rezo para que a
mentalidade política mude neste país, como mudou a realidade econômica, que
homens e mulheres de boa fé ingressem na política e que em 15 ou 20 anos
possamos herdar uma melhora significativa na qualidade de vida nas cidades
brasileiras.
Dimas de
Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Doutorando pela Universidade de Aveiro/IST e Professor da UFCA.
Engenheiro Civil, Doutorando pela Universidade de Aveiro/IST e Professor da UFCA.
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 28/01/2014
