terça-feira, 25 de novembro de 2008

COMPRAS? FAÇA AS CONTAS

Dezembro se aproxima e com ele as festas do final do ano. Natal e Ano-Novo fazem deste mês um dos mais rentáveis para a indústria e comercio. Todos os anos, este é o período onde são oferecidos empregos temporários nos dois setores para dar conta das encomendas e atendimento. A economia se aquece e o pagamento do 13º e, possivelmente, da remuneração das férias trazem um “gás extra” ao bolso do trabalhador. Mas o que fazer pra não estourar o orçamento? Como calcular até onde podemos ir com os gastos de fim de ano? Quanto reservar para as despesas do início do ano?

No mês que montamos a árvore de natal e encomendamos o peru, parecemos inebriados com a euforia das festas e, muitas vezes, esquecemos de pensar no quanto precisamos reservar do orçamento para a virada do ano. Material escolar das crianças, matrícula do colégio, licenciamento e seguro do carro, gastos de viagem como passagens e hospedagens são algumas das despesas que representam um grande impacto no orçamento doméstico, de janeiro de cada ano. O problema é ainda maior quando, por razões diversas, o cidadão comum acumula dívidas e vê-se em situação difícil. Como diz o ditado popular: além da queda, coice! A solução parece ser uma só: planejamento!
No primeiro caso, o melhor é fazer as contas. Some tudo que tem que pagar (contas) e comprar (presentes), veja se dispõe do montante nas datas. Dê prioridade às contas. Assim o restante poderá ser usado de acordo com sua disponibilidade e ordem de prioridades. Se o seu caso é o segundo (você devedor), a sugestão é usar o 13º no abatimento total ou parcial da dívida. O que restar dela deve ser negociada e dividida em parcelas. Caso isso não seja possível, fuja dos juros altos dos cartões e parta para um empréstimo que usará no pagamento das dívidas, de preferência no banco que oferecer os juros mais baixos, sempre com parcelas dentro da sua capacidade de pagamento.
Este texto não se trata de uma apologia ao “anti-consumo”. Trata-se de um apanhado de sugestões de ações, simples, de grande impacto na saúde financeira da família. É fundamental que a cultura do planejamento financeiro faça, cada vez mais, parte da educação de todos. O Brasil crescerá ainda mais. Acompanhar e registrar as despesas, poupar, aplicar bem os vencimentos, e principalmente, não comprar (gastar) o que não se pode pagar, diminuirá a inadimplência e suas terríveis conseqüências: endividamento e desemprego.
Compras? Sim! Depois de fazer as contas.
Dimas de Castro e Silva Neto
Mestre em Gerenciamento da Construção pela University of Birmingham
Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 25/11/2008 e nos Blogs: Cariri Agora (http://www.caririag.blogspot.com/) e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) de 25/11/2008.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

CIDADÃO COMUM: REFLEXÕES SOBRE A CRISE

A população mundial foi surpreendida, há pouco mais de um mês, por uma crise financeira mundial sem precedentes. Para o mercado financeiro americano, uma crise esperada visto que, via de regra, banco que não recebe pagamento de seus empréstimos não paga suas contas e: quebra! Mas o que não se esperava era o efeito dominó mundial. Pelo menos nestas proporções. Nós, felizes cidadãos comuns brasileiros, fomos pegos de surpresa.

A “moda” de investir em ações tem pouco tempo, pelo menos para, a pura, classe média brasileira acostumada a aplicar suas economias em caderneta de poupança, ou arriscar-se em alguma aplicação de médio prazo. Lembro que, no início, muitos se gabavam de terem adquirido ações de empresas como PETROBRÁS e VALE, investimento de retorno rápido e garantido. Ultimamente, era comum, nas rodas de conversa, alguém dizer que estava aprendendo a comprar e vender ações pela internet, como se fosse uma onda sem volta. Complementarmente, fazia muito, mas muito tempo mesmo, que não via alguém dizer que compraria dólares, a não ser pra viajar para os Estados Unidos, destino também em moda graças à “valorização” do real.

Hoje, o que percebo é que todos, economistas e entendidos, dizem ser esta uma crise horrível, mas pouco sugerem à população o que fazer. Uns dão a entender que não se deve deixar de consumir, o que traria o desemprego. Outros ainda, com ar de incerteza, dizem que é hora de economizar visto o panorama incerto. Ou seja, a população não parece saber ainda como agir: gastar ou poupar? Estocar? Aplicar? Em que? Ninguém arrisca! Ninguém ainda sente no bolso os efeitos da crise. O combustível, os alimentos, os aluguéis, os materiais de construção, nada ainda sofreu aumento representativo. Não aconteceram, ainda, demissões em massa ou coisa parecida. Ou seja, pra quem não tinha dinheiro em ações ou tem que comprar dólares, esta crise ainda não chegou.

Penso que a crise é um momento onde muitos perdem, porém sempre há uma maneira de alguém sair fortalecido. O próprio E.U.A. aproveitou-se de momentos extremamente delicados como a primeira e segunda guerra mundiais para se consolidar como maior potência mundial. Quem sabe esta não é a oportunidade do Brasil destacar-se, deixar sua marca, por incrível que possa parecer? Parece que o Governo Federal começou a enxergar isso aumentando o crédito para os setores agrícola e da construção. Outra ação importante, a meu ver, seria a diminuição dos impostos, e facilitação do crédito, as empresas interessadas no mercado interno para que estes produtos tenham preços mais interessantes, vendam mais e, conseqüentemente, não seja necessário haver demissões e assim haja uma compensação da diminuição das exportações. Ao final, dependeríamos muito menos dos consumidores externos e nos “blindaríamos” de futuras, possíveis, crises externas.


Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 11/11/2008 e nos Blogs: Cariri Agora (http://www.caririag.blogspot.com/) de 13/11/2008 e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) de 13/11/2008.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Melhores processos, melhores gestores


Para se candidatar a um cargo do executivo, como o de prefeito por exemplo, o candidato, ao contrário de um pleiteante a uma vaga de juiz, promotor, professor universitário, médico ou dentista de PSF, não precisa ter título de pós-graduação, muito menos ter nível superior. Pode ainda pleitear o cargo, sem apresentar curriculum vitae, comprovando vínculos empregatícios anteriores, seus trabalhos desenvolvidos e respectivos resultados, munidos de boas “cartas de referência”. Pode participar de uma eleição sem ter inclusive as contas aprovadas, em caso de ter ocupado o cargo anteriormente.

Quando eleito, dispõe de 4 anos e se obriga apenas a prestar contas do dinheiro gasto. Pode parecer suficiente à primeira vista, mas para uma nação que clama por melhores oportunidades para todos, apresentar um projeto de governo, apontando claramente as metas a serem alcançadas fazendo uso do orçamento disponível, deveria ser obrigação. Complementarmente, deveria haver uma consulta anual, bienal ou ao final do mandato, para apontar o grau de satisfação do eleitor ao trabalho prestado pelo empossado, podendo esta inclusive vetar uma, possível, futura investidura deste a um outro cargo público. Sonho distante? Talvez. Mais que isso, caminho para mudar esta realidade que privilegia o candidato que tem mais dinheiro, ou é financiado por outros políticos, ao invés de termos servidores públicos, porque é isso que deveriam ser, aptos a gerir nossos impostos transformados em orçamentos também públicos. Jogue a primeira pedra quem achar que o sistema que está ai, não dá acesso a qualquer candidatura mal intencionada, motivada pela ausência de indicadores de qualidade e eficiência.

O sistema vigente não contribui à criação de um Brasil melhor, de menos desigualdade social, de real vislumbramento de um país soberano em suas decisões, de oportunidades iguais para todos. Nos dias de hoje, até o termo “político” parece ter o tom pejorativo, ligado muito mais a habilidade de formar conchavos em busca do número de votos necessário à eleição, do que à qualidade de coordenar ações, nas diversas esferas, que gerem benefícios a seus eleitores. Bom seria termos muitos pleiteantes qualificados e creditados a gerir a coisa pública. Melhor ainda, ver o dia em que estes cargos fossem, todos, ocupados por candidatos à altura da investidura.
Melhores processos, melhores gestores!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.

Eng. Civil, Prof. do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Senhor Asfalto, seja bem vindo!

Ninguém discute a utilidade de uma via com seu pavimento em bom estado de conservação, apto a proporcionar um rodar suave aos veículos que ali trafegam. É natural que uma cidade necessite de ruas e avenidas asfaltadas, uma vez que esse pavimento favorece o rápido escoamento do tráfego destas. As outras poderiam, e deveriam, utilizar o conhecido paralelepípedo ou pedra tosca como pavimento, o não menos famoso: calçamento. Em áreas de pouco tráfego, como zonas residenciais, é indicado o uso de asfalto apenas nas avenidas, deixando suas ramificações, as ruas, à serem calçadas com pedras.

O calçamento é sim amigo da cidade. Entre outras características permite, ao contrário do asfalto, infiltração de água no solo o que diminui o poder de arrasto e destruição desta quando do seu escoamento no período de chuvas. O calçamento também promove um impacto bem menor no aumento da temperatura da cidade, do que o negro derivado do petróleo. Quanto a sua durabilidade, desde que bem executado, tem vida útil infinitamente superior a do asfalto, que “odeia” chuva. Há ainda outro atrativo, o da segurança dos pedestres. Graças a sua irregularidade características impossibilita, ou pelo menos dificulta, o trânsito à grandes velocidades, contribuindo assim na redução do índice de acidentes graves.

É assim no mundo todo. Em países onde a memória está por onde se anda, como na Inglaterra, Estados Unidos e Espanha, é comum encontrar no centro das grandes cidades, ruas inteiras que preservam seu pavimento original, o calçamento, trazendo beleza e preservando a história daquele lugar. Há muito que se fazer no Crato com relação a: conservação, promoção e preservação do patrimônio arquitetônico da cidade, como bem resgatou, em seu livro, o arquiteto Waldemar Arraes. Infelizmente, há ainda uma “cultura”, ou entendimento, de que o asfalto é sinal de progresso e desenvolvimento. Parece que o asfalto por si só traz este status de grande cidade, quando na verdade é um dos benefícios mais fugazes que o cidadão pode usufruir. Este terá, mais cedo do que tarde, de ser recuperado, total ou parcialmente, dependendo de sua composição, com areia ou com brita, à quente ou à frio. Outros benefícios como saneamento básico, abastecimento de água, hospitais, escolas, praças e calçadas, têm vida mais longa e de mais demorada recuperação, porém causando menor “impacto visual...”.

Seja muito bem vindo o asfalto, que agora chega às principais ruas de nossa cidade. Sem querer criticar o que está sendo feito, ou discutir a durabilidade, ou composição deste, cabe aqui, louvar a recuperação desta malha viária e aclamar o calçamento como opção, em alguns casos, e como indicação mais adequada em outros, sendo os dois proporcionalmente valorosos. Cabe aqui, portanto, reconhecer a importância de cada tipo de pavimento, e apontá-los como promotores do melhoramento da qualidade de vida da população.
Nossos carros agradecem!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Curso de Engenharia Civil da UFC

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 09/09/2008 e nos Blogs: Cariri Agora (http://www.caririag.blogspot.com/) de 09/07/2008 e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) de 09/07/2008.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Planejar e Fazer

É fácil imaginar que, ao longo de sua história, o homem tenha tentado todas as formas de antever o futuro. Empenhados nessa tarefa, estiveram os profetas, as bruxas, os adivinhos, os videntes. Todos, até os nossos profetas das secas, tiveram seus momentos de glória, seu espaço na mídia. Sem abandonar esse desejo de conhecer o amanhã, o homem veio, gradativamente, descobrindo sua capacidade de construí-lo.

Hoje, construir o futuro é uma imperiosa necessidade e, mais do que isso, ele precisa ser construído de modo a atender as necessidades das novas gerações. Errando, estaremos à mercê das criticas e invariavelmente seremos condenados, como incompetentes, por nossos netos e bisnetos e por seus netos e bisnetos, séculos à frente.

Antever o futuro deixou de ser incumbência dos magos para ser responsabilidade dos que planejam. Aqui, na Secretaria do Planejamento do Estado do Ceará, é nítida, na consciência de todos, esse sentimento de responsabilidade. Percebe-se, claramente, a confiança de que, no governo que se inicia, o planejar seja cada vez mais importante. A vontade de colaborar está presente - e não poderia ser de outra forma – porque o planejamento sempre se antecipará ao fazer.

Dimas de Castro e Silva Filho, Esp.
Meu pai, Eng. Agrônomo, Analista de Planejamento e Orçamento da SEPLAG-CE

domingo, 15 de junho de 2008

Orgulho de ser político

Um filho advogado, engenheiro, administrador, professor, médico, todo mundo quer! Mas você DESEJARIA, do fundo do seu coração, um filho político de carreira? Você vê isso com muita freqüência? No Brasil de hoje? Difícil encontrar um pai, muito menos uma mãe, desejando uma carreira política para um filho. Ao pé da letra, não há nada demais nisso. Pelo contrário, ter a oportunidade de administrar o desenvolvimento de uma cidade, um estado, ou até mesmo um país, de criar leis que beneficiem o bem estar de um povo e o progresso de uma nação, é das tarefas mais nobres que um homem pode receber.

Mas vamos aos fatos. Todos os dias ao abrirmos os jornais, ou ligarmos a televisão, vimos o que? Escândalos! Um atrás do outro! Em todos os partidos, por todo Brasil. Interrompidos apenas por: Futebol, Carnaval, Natal, uma catástrofe natural ou um “crime bárbaro” de vez em quando. Nos últimos anos, os “esquemas” começaram a ser desbaratados e as máscaras começaram a cair, uma a uma. Mas a coisa parece estar impregnada. Político do quilate do ex-senador Jefferson Péres é exceção, e não a regra. Como pode um possível pretendente a um cargo público entrar numa campanha sabendo que suas despesas somariam 2, 3, 4...vezes o valor total de seus 4 anos de mandato? Não dá? E não venha me dizer que a campanha é financiada por empresários, pois quem dá quer receber! E de que jeito este “investimento“ volta? Deus sabe... Acho até que Deus preferia nem saber!

E o povo não vê? Vê! Mas finge que não vê que os tais não vão pra cadeia, porque CPIs acabam em pizza, porque denuncia não dá em nada, nada dá em nada! “Ruim com ele, pior sem ele!”, “Rouba, mas faz!”. A realidade parece clara. A verdade parece estar à vista de todos, mas parece que somos um povo “acostumado”, “conformado”, “apático”. Desconhecedores do nosso valor somos tangidos como gado, a cada 4 anos, para um curral onde se oferecem: camisas, bonés, cimento, tijolo, um belo e ludibriante discurso com trio-elétrico animado por alguma banda de forró da moda. E depois disso? Depois disso você vota, e como se diz por aqui, perde seu valor! O eleito assume o cargo e faz o que quer, do jeito que quer, afinal ele foi eleito...

Sabemos que políticos dizem ter orgulho de serem políticos. Que se orgulham de “serem”: vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores ou presidente, neste país. Mais interessante é que NÓS tenhamos orgulho dos políticos que temos! Aliás, a postura imperial de alguns deles, percebida através da arrogância e tom de superioridade, faz parecer que mal sabem que, quando eleitos, “estão” e não “são” vereadores, prefeitos, etc... Se conscientes fossem, revestiriam-se do cargo sabendo que ele é transitório. O Brasil que viu o império virar república, a escravidão ser abolida, o trabalhador ter direitos garantidos, precisa agora ver o estado ser governado e legislado por homens honestos e capazes de promover os melhoramentos, maciçamente, “prometidos” de: educação, saúde, emprego, transporte, moradia e segurança. Neste mar de desesperança, existe uma única praia, o voto. Bom que fosse não obrigatório, mas já que não o é, melhor que fosse dado a algum político, no bom sentido da palavra, preparado para servir AO POVO. Tenhamos orgulho de votar. Tenhamos orgulho de nossos governantes.

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 10/06/2008; e nos Blogs: Cariri Agora (www.caririag.blogspot.com) e Blog do Crato (www.blogdocrato.blogspot.com) de 16/06/2008.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O preço do Estado

Viver no Brasil é muito, muito caro!

Alguém discorda? E por quê? Manter e ampliar a infra-estrutura do país custa muito dinheiro. Dinheiro que vem do? Exato! Do bolso do brasileiro, contribuinte, extraído através dos gordos impostos arrecadados pela União, Governos Estadual e Municipal. É I.O.F., é I.C.M.S.,é I.P.T.U.,é I.P.V.A., e o leão do I.R. todo santo ano! Paga o trabalhador comum, paga o comerciante, paga o empresário. Cada um dando o que lhe é, devidamente, “indevido”. A sonegação é ilegal. Entretanto, mais e mais se houve falar de empresários que, devido a essa carga tributária, adotam esta prática como única solução para a sobrevivência de suas empresas. Os Governos recolhem impostos necessários ao pagamento de suas vultosas despesas. Essas despesas são definidas todo ano em, igualmente, vultosos Orçamentos. Orçamentos deveriam ser ferramentas muito bem elaboradas, munidas de um preciso levantamento dos custos de cada item de despesa. O problema é que aqui os Governos arrecadam mais e se recebe, proporcionalmente, menos. Em países de primeiro mundo, ou em crescente e ordenado desenvolvimento, a carga é muito menor e a população desfruta de muito mais educação, saúde, transporte, segurança... essas coisas que os políticos “prometem como sem falta” e faltam como sem dúvida!

Pra falar num Cearês claro: Faz raiva!
Se, a maioria da população, “acostumada” a tanta pobreza, vez por outra reclama, imagine para quem teve a oportunidade de presenciar a realidade de outros países da Europa ou até desta mesma América. No Brasil, uma educação gratuita de péssima qualidade, onde alunos de 3ª. série não sabem ler e nem escrever, um S.U.S. desacreditado, um sistema de transporte de péssima qualidade e mal definido, cidades sem infra-estrutura suficiente de saneamento, habitação e segurança, que aliás é resultado da falta de tudo isso. A situação só não é pior graças ao esforço diário dos bravos profissionais da educação, saúde, transporte, segurança, que lutam de todas as formas para atender a população, com os poucos recursos que dispõem. Lá fora, há escolas e universidades para quem quiser e oportunidades para quem buscar. Ninguém fica doente por muito tempo. Hospitais e recursos humanos em número suficiente, tratamento dentário, oftalmológico... Sim, óculos também são de graça! O transporte urbano é, na sua grande maioria, feito de trem, mais barato, rápido, melhor distribuído e menos poluente. Pode-se andar, despreocupadamente, pelas ruas das grandes cidades, reflexo de uma sociedade de mais oportunidades e menos desigualdades e conseqüentemente mais segura.

Por outro lado, somos um país privilegiado. É notória a quantidade e qualidade de recursos naturais do Brasil. Aqui também não há catástrofes naturais, nem atentados. Nenhum furacão ou terremoto, como o que abalou a China, que derruba prédios, matando pessoas. Não estamos sob ameaça de carros e homens-bomba. Não estamos em guerra com nenhum país. Nossos problemas são solúveis. Depende, apenas, de nós mesmos e não somente da interferência Divina. Se escolhermos melhor quem vai ter as “chaves dos cofres” há mais chances de mudarmos esta penosa realidade. A incompetência administrativa não é tolerada na iniciativa privada. Por que tolerá-la na administração pública, quando se trata de governantes, nossos “representantes” e “servidores”, eleitos pelo nosso valioso voto? Quem paga caro, em regra geral, é mais exigente. Sejamos mais exigentes, estamos podendo!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 08/07/2008; e nos Blogs: Cariri Agora (http://www.caririag.blogspot.com/) e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) em 05/06/2008.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Educação de Itaiçaba faz o dever de casa

Nesta terça-feira, o Governador Cid Gomes divulgou o resultado do Sistema Permanente de Avaliação da educação Básica do Ceará, o Spaece-Alfa 2007. A pesquisa realizada pela SEDUC, mostra como anda o desempenho dos estudantes, de até 7 anos de idade, matriculados em escolas públicas do Estado e cursando a 2º. Ano do Ensino Fundamental. Segundo essa pesquisa, se Itaiçaba fosse um aluno, de uma enorme sala de aula chamada Escolas Públicas do Ceará, dos 184 alunos ela seria o 4º. melhor. É pena que nesta mesma classe, alunos como: Fortaleza, Maracanaú, Iguatu, Juazeiro do Norte, Aquiraz e Euzébio, todos com “pais” mais ricos, teriam nível de alfabetização incompleta. Mais grave ainda é saber que apenas 14 destes alunos conseguiriam “passar de ano”.

Seguindo a mesma pesquisa, quase a metade, 47,4%, não são alfabetizados. Esta relação serve para ilustrar o momento dramático que a educação pública vive no Ceará. Ações pontuais como as desempenhadas nos 14 municípios “aprovados” deveria ser a regra e não exceção. Administradores, professores e servidores públicos de: Sobral, Mucambo, Cruz e Itaiçaba, para citar os 4 melhores resultados, fizeram o dever de casa e têm uma lição a ensinar. O segredo? Não há segredo. Segundo o Prefeito de Mucambo: ”Investir pesado na formação dos professores, no seu aperfeiçoamento [...] em equipamentos para as escolas”. Há trabalho. Vontade política. Sem querer fazer política, e sim com a intenção de reconhecer o bom trabalho de administrações atuais e anteriores, creditadas pelo próprio Prefeito: “esse trabalho [...] vem sendo desenvolvido há 8 anos”. Esta lição deveria ser copiada, publicada e divulgada para os demais municípios.

No Brasil, em tese, 25% dos orçamentos públicos deveriam ser aplicados em educação. Metade do que o Japão do pós-II Guerra, arrasado por duas bombas nucleares, e sem dinheiro decidiu aplicar na busca da reconstrução. A educação é a base para o desenvolvimento de qualquer povo. Terra que busca melhores tempos para sua gente, tem de aprender a superar os obstáculos, aprender o caminho das pedras, tem de seguir à Passagem das Pedras.


Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Filho do Dr. Dimas, Neto do Seu Dimas “Clementino” , Eng. Civil, Prof. da URCA


Artigo publicado no Cariri Agora (http://www.caririag.blogspot.com/) de 29/05/2008 e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) de 06/06/2008.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Crédito na praça ou dinheiro no bolso?

Todos os dias, os comerciais de televisão trazem aos nossos olhos centenas de ”ofertas”, “promoções”, “liquidações” e dizeres como: ”enquanto durar o estoque!”
Dinheiro pra quem quiser! Eletro-domésticos, carros, móveis e a própria casa também!
Entendo... a economia está estabilizada, a inflação não nos causa tantas surpresas como há recentes 14 anos e, conseqüentemente, há mais emprego e a renda familiar aumentou, mas essa onda de “compra-compra” vai passar?
Tem gente se aproveitando disso?
Quem está perdendo com tudo isso?

O Brasil não via um crescimento destes desde o “milagre econômico”, no início dos anos 70. A expansão da indústria e o aumento do poder de compra do salário mínimo trouxeram dinheiro à praça. As financeiras nunca foram tantas e emprestaram tanto. As lojas de eletro-doméstico e móveis multiplicaram-se, viraram redes! A indústria automobilística brasileira bate recordes de vendas ano após ano.

Os sonhos estão se tornando realidade. Há dez anos a primeira TV colorida com controle remoto, depois o Sistema de Som, Parabólica, DVD e agora a onda da geladeira e da então inimaginável lavadora-de-roupas! Carro novo não é mais para poucos. Pode-se sair da concessionária sem nada de entrada e prestações bem pequenas. Foi-se o tempo em que a Caixa Econômica era a única possibilidade de financiamento de imóvel. Muitos bancos financiam imóveis através inclusive de consórcio. Crédito fácil, facílimo! Financiamentos e empréstimos em “quantas” vezes você quiser! Quem já se viu? 30 anos pra pagar alguma coisa no Brasil? Financeiras, bancos, lojas e montadoras estão tornando possível o sonho de muita gente, mas essa gente sabe mesmo o valor que paga pelo bem?

Paga-se muito! Os juros embutidos fazem o valor final muitas vezes superar o dobro do valor da mercadoria paga à vista. Apesar de o brasileiro entender um pouco de economia, devido aos anos de inflação galopante, a febre do consumo parece ter apagado da memória a importância de poupar, economizar, juntar e pagar no dinheiro, “cash”. Quem paga à vista, não perde dinheiro. Quem compra à prazo deve fazê-lo caso necessite. Cada um deveria saber que o orçamento doméstico é limitado e que a capacidade de comprometimento uma hora acaba! Receio que muita gente não atenta pra isso. A inadimplência parece ser o caminho a ser trilhado e com ela a “quebradeira”, inflação, desemprego.

Compremos mais!
Compremos melhor!
Compremos à vista!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 20/05/2008.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Brasil está crescendo...


Tá!?

E por que pagamos por um carro o dobro, até o triplo, do que paga um cidadão norte-americano, um europeu ou até mesmo um sul-americano em seus países?

Como é caro, para nós contribuintes, pagar pelos impostos cobrados as montadoras. Impostos presentes em todos os produtos que consumimos. Cadê a tão esperada “Reforma Tributária”? Por que não sai do papel? Aliás por que não vira papel, lei?

Impostos que viram verba de orçamento "usadas em prol do crescimento do nosso país!". Verbas alocadas á critério dos nossos “justos", "trabalhadores" e, acima de tudo, "honestos": presidente, ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores.

A Índia dá exemplo ao mundo com o NANO, o carro mais barato do mundo (tem 4 rodas, leva 4 passageiros e faz 20 km com 1 litro de gasolina) da indústria local TATA.
Vai custar o equivalente a R$ 4.500, lá! O presidente da empresa justificou o projeto dizendo que pensou nas milhares de famílias que usam moto para se deslocar. Esta realidade se assemelha com a de algum país que você conhece?

Tão simples!
Tão fácil!
Tão longe de acharmos possível que isso venha a acontecer que não tem ninguém dizendo que um carrinho desses vem parar por aqui. Como também não tem ninguém dizendo que a reforma tributária vai sair.

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 06/05/2008.