segunda-feira, 9 de maio de 2016

Impeachment 2: já vimos esse filme


Com apenas 5 séculos de história ocidental, nosso país pode ser considerado jovem. De Dom Pedro I até a Presidente Dilma são pouco menos de 200 anos de “Brasil”. Os Portugueses vieram e colonizaram nossas terras, forçando índios e negros a extrair as riquezas que puderam, do pau-brasil ao diamante, até 1822. Muitas revoltas e sangue derramado foi necessário para nos tornarmos  independentes, para termos o sentimento de nação, de pátria, de povo brasileiro. Guerras e levantes ainda foram necessários para deixarmos de obedecer a um rei e podermos eleger um presidente ou “presidenta”. Mas valeu a pena?

Nosso regime republicano fez há pouco 100 anos, e já vimos de quase tudo! Começamos com um golpe militar, pois Marechal Deodoro, assim o fez, enviando o Rei para o exílio e proclamando a república. Depois foram anos de política “café-com-leite” até Getúlio Vargas implantar a primeira ditadura tupiniquim. Ai veio Juscelino Kubitschek com Brasília e seus planos de tornar o Brasil uma república moderna. Vieram Jânio, Jango e sua tendência comunista, a instabilidade política e os militares promoveram novo golpe, implantando 20 anos de ditadura militar. Saiu o último general, Figueiredo. Eram os anos 80 e o PT deixou de ser um movimento sindical pra virar partido. O Brasil não crescia. Só crescia a dívida externa. O povo acreditava que a solução econômica era política. Diziam que: “A culpa é dos militares!”

Enfim, o movimento das “Diretas Já” e Tancredo foi eleito presidente, ainda pelo voto “indireto”. Com sua morte, Sarney assume, governa e promove as primeiras eleições diretas. Collor é eleito em disputa com Lula. E logo na primeira tentativa falhamos! Collor, com cara de herói de filme americano, foi “impeachmado” por um Fiat Elba! PC Farias, mal comparando, foi um José Dirceu da era moderna. Mas a narrativa é cruel! Assume Itamar e depois Fernando Henrique. Eram tempos de hiperinflação. Havia luz no fim do túnel com o “Plano Real”. O presidente Tucano estabilizara a moeda, implantava projetos sociais e ganhava respaldo mundial. O PT, na oposição, queria o trono, a coroa e o cedro de FHC. Depois, todo mundo já sabe: 2 governos do Lula e 2 de Dilma. São 13 anos no poder e mais um “impeachment” na agulha. E ai? Valeu a pena?

Deve haver defensores para os dois lados. Valeu porque o povo se manifestou a favor e contra o atual governo. A política voltou a tomar conta das rodas de conversa e houve espaço para se pensar o país que queremos, para já e para o futuro. Não valeu porque podia ter sido diferente, se tivéssemos despendido algum tempo na escolha de melhores representantes. Exigido deles, em tempo real, desempenho que nos tornasse um nação mais sólida, culta e rica. Foi preciso que um nobre juiz-professor fizesse as vezes de uma pátria inteira, mobilizando outros nobres cavaleiros, numa empreitada que parecia impossível. Então, que essa história seja contada de geração em geração.  Que esse legado não se perca, pois o “Impeachment” estanca o sangue, mas não cura a ferida.

Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Ajunto da Universidade Federal do Cariri,
Doutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro

Artigo publicado no caderno especial (Impeachment) do Jornal O Povo de 16/04/2016

Nenhum comentário: