Com apenas 5 séculos de
história ocidental, nosso país pode ser considerado jovem. De Dom Pedro I até a
Presidente Dilma são
pouco menos de 200 anos de “Brasil”. Os Portugueses vieram e colonizaram nossas
terras, forçando índios e negros a extrair as riquezas que puderam, do
pau-brasil ao diamante, até 1822. Muitas revoltas e sangue derramado foi necessário
para nos tornarmos independentes, para termos o sentimento de nação, de pátria, de povo brasileiro. Guerras e
levantes ainda foram necessários para deixarmos de obedecer a um rei e podermos
eleger um presidente ou “presidenta”. Mas valeu a pena?
Nosso regime
republicano fez há pouco 100 anos, e já vimos de quase tudo! Começamos com um
golpe militar, pois Marechal Deodoro, assim o fez, enviando o Rei para o exílio
e proclamando a república. Depois foram anos de política “café-com-leite” até
Getúlio Vargas implantar a primeira ditadura tupiniquim. Ai veio Juscelino Kubitschek
com Brasília e seus planos de tornar o Brasil uma república moderna. Vieram
Jânio, Jango e sua tendência comunista, a instabilidade política e os militares
promoveram novo golpe, implantando 20 anos de ditadura militar. Saiu o último general,
Figueiredo. Eram os anos 80 e o PT deixou de ser um movimento sindical pra
virar partido. O Brasil não
crescia. Só crescia a dívida externa. O povo acreditava que a solução econômica era política. Diziam que: “A culpa
é dos militares!”
Enfim, o movimento das
“Diretas Já” e Tancredo foi eleito presidente, ainda pelo voto “indireto”. Com
sua morte, Sarney assume, governa e promove as primeiras eleições diretas. Collor é eleito em disputa com
Lula. E logo na primeira tentativa falhamos! Collor, com cara de herói de filme
americano, foi “impeachmado” por um Fiat Elba! PC Farias, mal comparando, foi
um José Dirceu da era moderna. Mas a narrativa é cruel! Assume Itamar e depois
Fernando Henrique. Eram tempos de hiperinflação. Havia luz no fim do túnel com o “Plano Real”.
O presidente Tucano estabilizara a moeda, implantava projetos sociais e ganhava
respaldo mundial. O PT, na oposição,
queria o trono, a coroa e o cedro de FHC. Depois, todo mundo já sabe: 2
governos do Lula e 2 de Dilma. São
13 anos no poder e mais um “impeachment” na agulha. E ai? Valeu a
pena?
Deve haver defensores
para os dois lados. Valeu porque o povo se manifestou a favor e contra o atual
governo. A política voltou a tomar conta das rodas de conversa e houve espaço
para se pensar o país que queremos, para já e para o futuro. Não valeu porque podia ter sido diferente, se tivéssemos
despendido algum tempo na escolha de melhores representantes. Exigido deles, em
tempo real, desempenho que nos tornasse um nação mais sólida, culta e rica. Foi preciso que um
nobre juiz-professor fizesse as vezes de uma pátria inteira, mobilizando outros
nobres cavaleiros, numa empreitada que parecia impossível. Então, que essa história seja contada de geração em geração.
Que esse legado não se perca, pois o “Impeachment” estanca o
sangue, mas não cura
a ferida.
Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Ajunto da Universidade Federal do Cariri,
Doutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro
Artigo publicado no caderno especial (Impeachment) do Jornal O Povo de 16/04/2016

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