segunda-feira, 9 de maio de 2016

Titanic brasileiro


A crise econômica do Brasil está na ordem do dia. Os jornais apresentam os números negativos diariamente e a população assiste atônita a onda de demissões, fechamento de empresas, aumento de preços e desvalorização da moeda. O questionamento geral é quanto tempo essa crise vai durar e qual a saída de emergência, para voltar ao eixo de crescimento.

Prever o fim de uma crise econômica, num país como o nosso, é tarefa quase que sobrenatural. Profetizar uma data de quando o país retomará o crescimento é ainda mais difícil, devido a crise política que se estabeleceu por aqui. O governo não consegue apresentar um pacote de medidas que realmente resgate sua credibilidade, a confiança do povo e dos investidores internacionais. O Brasil parece um navio que está afundando, num mar gelado, cheio de tubarões e com botes salva-vidas apenas para metade dos seus 200 milhões de passageiros.

O Brasil tornou-se um Titanic dos anos 2000. Aclamado em todo o mundo como a grande potência emergente, de riquezas naturais sem fim, seus “passageiros” desfrutaram de um período de crédito fácil e diversos incentivos sociais. A população comprou desesperada e compulsivamente. Acumulamos dívidas e agora a bolha estourou. O resultado foi a colisão com um gigantesco Iceberg, chamado incompetência administrativa. Orçamentos maquiados, esconderam os rombos durante um tempo. Agora a inércia gerencial, a falta de investimento em infraestrutura e educação, cobram a conta.

Passamos sim por um período dourado de efervescência econômica, uma conjunção de fatores favoráveis movida pela necessidade das grandes nações por nossos recursos naturais. Estávamos entre os maiores exportadores de insumos do mundo como o petróleo, a soja, o ferro, a laranja, a carne e o frango. Vinte por cento dos alimentos consumidos no mundo são brasileiros. No entanto, não investimos em ferrovias, rodovias, aeroportos e portos para dar vazão a estas riquezas e atrair indústrias, que transformam esses insumos  em produtos finais com valor agregado e empregos. O nosso navio bateu com força, furou o casco e está pegando água rapidamente.

A meu ver, esse navio já era! Ele vai à pique e a saída é reunir os sobreviventes e construir outro. Tomara que desta vez o “construtor” escolhido invista massivamente em educação e tecnologia, para garantir que esta embarcação não afunde nunca mais. Espero que o próximo “construtor” não seja arrogante como o do Titanic, que disse certa vez que “nem Deus afunda esse navio”.  

Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Adjunto da Universidade Federal do Cariri,
Doutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 08/03/2016

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