A crise econômica do
Brasil está na ordem do dia. Os jornais apresentam os números negativos
diariamente e a população assiste atônita a onda de demissões, fechamento de
empresas, aumento de preços e desvalorização da moeda. O questionamento geral é
quanto tempo essa crise vai durar e qual a saída de emergência, para voltar ao
eixo de crescimento.
Prever o fim de uma
crise econômica, num país como o nosso, é tarefa quase que sobrenatural.
Profetizar uma data de quando o país retomará o crescimento é ainda mais difícil,
devido a crise política que se estabeleceu por aqui. O governo não consegue
apresentar um pacote de medidas que realmente resgate sua credibilidade, a
confiança do povo e dos investidores internacionais. O Brasil parece um navio
que está afundando, num mar gelado, cheio de tubarões e com botes salva-vidas apenas
para metade dos seus 200 milhões de passageiros.
O Brasil tornou-se um
Titanic dos anos 2000. Aclamado em todo o mundo como a grande potência emergente,
de riquezas naturais sem fim, seus “passageiros” desfrutaram de um período de
crédito fácil e diversos incentivos sociais. A população comprou desesperada e
compulsivamente. Acumulamos dívidas e agora a bolha estourou. O resultado foi a
colisão com um gigantesco Iceberg,
chamado incompetência administrativa. Orçamentos maquiados, esconderam os
rombos durante um tempo. Agora a inércia gerencial, a falta de investimento em
infraestrutura e educação, cobram a conta.
Passamos sim por um
período dourado de efervescência econômica, uma conjunção de fatores favoráveis
movida pela necessidade das grandes nações por nossos recursos naturais. Estávamos
entre os maiores exportadores de insumos do mundo como o petróleo, a soja, o ferro,
a laranja, a carne e o frango. Vinte por cento dos alimentos consumidos no
mundo são brasileiros. No entanto, não investimos em ferrovias, rodovias,
aeroportos e portos para dar vazão a estas riquezas e atrair indústrias, que
transformam esses insumos em produtos
finais com valor agregado e empregos. O nosso navio bateu com força, furou o
casco e está pegando água rapidamente.
A meu ver, esse navio
já era! Ele vai à pique e a saída é reunir os sobreviventes e construir outro.
Tomara que desta vez o “construtor” escolhido invista massivamente em educação
e tecnologia, para garantir que esta embarcação não afunde nunca mais. Espero
que o próximo “construtor” não seja arrogante como o do Titanic, que disse
certa vez que “nem Deus afunda esse navio”.
Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Adjunto da Universidade Federal do Cariri,
Doutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 08/03/2016

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