quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ao Povo, pão e circo


Quando o imperador romano Vespasiano disse essa frase, há mais ou menos 2000 anos, acreditava poder hipnotizar o povo dando-lhes alimento e entretenimento através dos espetáculos de lutas entre gladiadores nos estádios e distribuição de pães aos presentes. A formula parece funcionar bem até hoje na terra dos Cariris.

Chegam os meses de junho e julho, com seus festejos juninos: Pau da bandeira, JuáForro, Expocrato e em toda região as administrações municipais resolvem “ajeitar” as cidades para receber seus visitantes. Concertam-se calçamentos, asfaltam-se ruas, finalizam-se praças e parques, seguidos de inaugurações e foguetórios. É certo que o povo precisa de áreas de lazer, vias calçadas em perfeito estado de conservação para o tráfego, mas e o resto? Pintar meios-fios, tapar buracos e varrer as ruas dá certamente uma aspecto de cidade bem cuidada, mas porque só nas curtas temporadas de festas e não o ano todo? Os turistas levam para casa a boa impressão, mas a grande maioria das populações sofre, com os mal estruturados e mal pagos sistemas de educação, saúde, segurança, saneamento, planejamento e tráfego urbano. Onde estão os investimentos nestas áreas? Estas tão cansadas promessas de campanha de 11 entre 10 candidatos a qualquer coisa.

O resto do ano a população sofre, mas parece que gosta! Na verdade parece gado! O povo é tratado como gado, em grandes currais, nestas bandas. Sendo obrigados a comer do pasto que lhe derem. Conformem-se, pois, em receber uns “agrados” por cada voto, quando se aproximam as eleições, e não reclamem do fim que derem aos seus caros impostos, pagos em tudo!

Países hoje desenvolvidos têm na educação, na boa infraestrutura das escolas, qualificação e remuneração dos professores a solução da maioria de seus problemas sociais. Paralelamente a saúde, segurança, transporte e tráfego de qualidade são alicerce para um povo que deseja ter dignidade. Resta-nos, portanto: rezar, desculpe, optar por representantes de reconhecida competência administrativa e correção no uso do nosso dinheiro e cobrar, fiscalizar e punir o não cumprimento das promessas de campanha. Como dizia Albert Einstein: “Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos.” 

Dimas de Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 11/07/2012.





Olimpíadas chegando e o Brasil... neco!


Toda vez é a mesma coisa, uma olimpíada se aproxima e ficamos torcendo para que algum brasileiro suba ao pódio. Tirando o Vôlei, que certamente trará algumas medalhas, graças ao apoio dos patrocinadores, da organização e estrutura da Confederação Brasileira de Vôlei, podem “pingar” umas medalhinhas na natação, atletismo, vela e no futebol que, aliás, nunca trouxe o ouro! Teremos por volta de 10, no máximo 15, medalhas juntando tudo: ouros, pratas e bronzes! Quer apostar?

Resultado no esporte é igual a tudo nessa vida, só vem com planejamento, priorização, dedicação e financiamento. Só para ter uma ideia, Cuba, que é menor do que nosso estado, implementou um projeto bem sucedido de incentivo a prática esportiva, já levou para casa 194 medalhas e o “pobre” do Brasil tem apenas 91. Em países da Europa, Ásia e nos Estados Unidos, um jovem que se destaca, em algum esporte, pode facilmente conseguir bolsa estudantil. Antes mesmo de se torna profissional, há sempre empresas interessadas em patrociná-lo e ter associada sua marca ao atleta. Sendo assim, bastaria que os governos municipais, estaduais e federais, criassem políticas esportivas eficientes, espelhadas nas experiências destes países, onde a criança teria a oportunidade de escolher uma modalidade que lhe desse prazer, satisfação, diversão, tendo o necessário suporte técnico-financeiro, podendo dedicar-se a esta, durante sua formação escolar.

Dentre as virtudes dos esportistas estão: disciplina, busca por resultados, trabalho em equipe, liderança, companheirismo, ética, superação, estratégia e objetividade. Características que, uma vez vivenciadas, serão aprimoradas na vida social e profissional, contribuindo na formação do indivíduo. Indiscutivelmente, teríamos seres humanos mais preparados para enfrentar os desafios e dificuldades da vida. Teríamos pessoas mais desenvoltas, mais integradas no convívio social, mais conscientes de que limites podem ser superados dentro de uma postura ética. Sem falar nos benefícios a saúde, com indivíduos que seriam introduzidos a hábitos alimentares saudáveis e prática de exercícios físicos, o que, consequentemente, reduziria o número de doenças ocasionadas pela obesidade e o sedentarismo.

Mais do que medalhas olímpicas, que são apenas reflexo do quão bem sucedida foi a ação de governo, o que proponho aqui é o esporte como ferramenta de formação física e mental do cidadão. A Olimpíada no Brasil será daqui a 4 anos e não basta cobrar apenas a ação das autoridades, deve-se conscientizar o cidadão comum da importância da prática esportiva na formação física e do caráter de seus filhos. Acredito que esporte é algo tão importante quanto português e matemática. Poderíamos formar escolas de atletas-alunos ou alunos-atletas! Campeões na vida! Que mal há nisso? Nenhum! Aliás, no esporte, a primeira lição que se aprende é a de não haver distinção de cor, sexo, credo ou classe social.


Dimas de Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 25/07/2012.