quinta-feira, 29 de maio de 2008

Educação de Itaiçaba faz o dever de casa

Nesta terça-feira, o Governador Cid Gomes divulgou o resultado do Sistema Permanente de Avaliação da educação Básica do Ceará, o Spaece-Alfa 2007. A pesquisa realizada pela SEDUC, mostra como anda o desempenho dos estudantes, de até 7 anos de idade, matriculados em escolas públicas do Estado e cursando a 2º. Ano do Ensino Fundamental. Segundo essa pesquisa, se Itaiçaba fosse um aluno, de uma enorme sala de aula chamada Escolas Públicas do Ceará, dos 184 alunos ela seria o 4º. melhor. É pena que nesta mesma classe, alunos como: Fortaleza, Maracanaú, Iguatu, Juazeiro do Norte, Aquiraz e Euzébio, todos com “pais” mais ricos, teriam nível de alfabetização incompleta. Mais grave ainda é saber que apenas 14 destes alunos conseguiriam “passar de ano”.

Seguindo a mesma pesquisa, quase a metade, 47,4%, não são alfabetizados. Esta relação serve para ilustrar o momento dramático que a educação pública vive no Ceará. Ações pontuais como as desempenhadas nos 14 municípios “aprovados” deveria ser a regra e não exceção. Administradores, professores e servidores públicos de: Sobral, Mucambo, Cruz e Itaiçaba, para citar os 4 melhores resultados, fizeram o dever de casa e têm uma lição a ensinar. O segredo? Não há segredo. Segundo o Prefeito de Mucambo: ”Investir pesado na formação dos professores, no seu aperfeiçoamento [...] em equipamentos para as escolas”. Há trabalho. Vontade política. Sem querer fazer política, e sim com a intenção de reconhecer o bom trabalho de administrações atuais e anteriores, creditadas pelo próprio Prefeito: “esse trabalho [...] vem sendo desenvolvido há 8 anos”. Esta lição deveria ser copiada, publicada e divulgada para os demais municípios.

No Brasil, em tese, 25% dos orçamentos públicos deveriam ser aplicados em educação. Metade do que o Japão do pós-II Guerra, arrasado por duas bombas nucleares, e sem dinheiro decidiu aplicar na busca da reconstrução. A educação é a base para o desenvolvimento de qualquer povo. Terra que busca melhores tempos para sua gente, tem de aprender a superar os obstáculos, aprender o caminho das pedras, tem de seguir à Passagem das Pedras.


Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Filho do Dr. Dimas, Neto do Seu Dimas “Clementino” , Eng. Civil, Prof. da URCA


Artigo publicado no Cariri Agora (http://www.caririag.blogspot.com/) de 29/05/2008 e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) de 06/06/2008.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Crédito na praça ou dinheiro no bolso?

Todos os dias, os comerciais de televisão trazem aos nossos olhos centenas de ”ofertas”, “promoções”, “liquidações” e dizeres como: ”enquanto durar o estoque!”
Dinheiro pra quem quiser! Eletro-domésticos, carros, móveis e a própria casa também!
Entendo... a economia está estabilizada, a inflação não nos causa tantas surpresas como há recentes 14 anos e, conseqüentemente, há mais emprego e a renda familiar aumentou, mas essa onda de “compra-compra” vai passar?
Tem gente se aproveitando disso?
Quem está perdendo com tudo isso?

O Brasil não via um crescimento destes desde o “milagre econômico”, no início dos anos 70. A expansão da indústria e o aumento do poder de compra do salário mínimo trouxeram dinheiro à praça. As financeiras nunca foram tantas e emprestaram tanto. As lojas de eletro-doméstico e móveis multiplicaram-se, viraram redes! A indústria automobilística brasileira bate recordes de vendas ano após ano.

Os sonhos estão se tornando realidade. Há dez anos a primeira TV colorida com controle remoto, depois o Sistema de Som, Parabólica, DVD e agora a onda da geladeira e da então inimaginável lavadora-de-roupas! Carro novo não é mais para poucos. Pode-se sair da concessionária sem nada de entrada e prestações bem pequenas. Foi-se o tempo em que a Caixa Econômica era a única possibilidade de financiamento de imóvel. Muitos bancos financiam imóveis através inclusive de consórcio. Crédito fácil, facílimo! Financiamentos e empréstimos em “quantas” vezes você quiser! Quem já se viu? 30 anos pra pagar alguma coisa no Brasil? Financeiras, bancos, lojas e montadoras estão tornando possível o sonho de muita gente, mas essa gente sabe mesmo o valor que paga pelo bem?

Paga-se muito! Os juros embutidos fazem o valor final muitas vezes superar o dobro do valor da mercadoria paga à vista. Apesar de o brasileiro entender um pouco de economia, devido aos anos de inflação galopante, a febre do consumo parece ter apagado da memória a importância de poupar, economizar, juntar e pagar no dinheiro, “cash”. Quem paga à vista, não perde dinheiro. Quem compra à prazo deve fazê-lo caso necessite. Cada um deveria saber que o orçamento doméstico é limitado e que a capacidade de comprometimento uma hora acaba! Receio que muita gente não atenta pra isso. A inadimplência parece ser o caminho a ser trilhado e com ela a “quebradeira”, inflação, desemprego.

Compremos mais!
Compremos melhor!
Compremos à vista!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 20/05/2008.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Brasil está crescendo...


Tá!?

E por que pagamos por um carro o dobro, até o triplo, do que paga um cidadão norte-americano, um europeu ou até mesmo um sul-americano em seus países?

Como é caro, para nós contribuintes, pagar pelos impostos cobrados as montadoras. Impostos presentes em todos os produtos que consumimos. Cadê a tão esperada “Reforma Tributária”? Por que não sai do papel? Aliás por que não vira papel, lei?

Impostos que viram verba de orçamento "usadas em prol do crescimento do nosso país!". Verbas alocadas á critério dos nossos “justos", "trabalhadores" e, acima de tudo, "honestos": presidente, ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores.

A Índia dá exemplo ao mundo com o NANO, o carro mais barato do mundo (tem 4 rodas, leva 4 passageiros e faz 20 km com 1 litro de gasolina) da indústria local TATA.
Vai custar o equivalente a R$ 4.500, lá! O presidente da empresa justificou o projeto dizendo que pensou nas milhares de famílias que usam moto para se deslocar. Esta realidade se assemelha com a de algum país que você conhece?

Tão simples!
Tão fácil!
Tão longe de acharmos possível que isso venha a acontecer que não tem ninguém dizendo que um carrinho desses vem parar por aqui. Como também não tem ninguém dizendo que a reforma tributária vai sair.

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 06/05/2008.