segunda-feira, 9 de maio de 2016

Perdemos a vergonha de fazer o mal


Nos dias de hoje, o mal parece coisa normal, aceitável, suportável numa sociedade que não se assusta mais com a sua presença. Quem faz sabe que pode, quem assiste não se espanta nem se revolta. No dicionário, vergonha significa: sensação de perda de dignidade ou de falta de valor pessoal, humilhação, rebaixamento. Portanto, penso que perdemos a vergonha. Há hoje a verdadeira sensação de que fazer o mal é uma opção sem maiores consequências ou punições. Percebo que, para muitos de nós, o mal está liberado!

Todos os dias assistimos pela televisão, rádio ou internet, espetáculos de pura maldade! A mais extrema delas quando atenta a vida humana. Mata-se não apenas para roubar, mas pelo prazer de matar. Hoje o latrocínio (roubo seguido de morte) é comum. Esse é apenas um dos muitos exemplos de maldade gratuita e desavergonhada. Mas há também a maldade nossa de cada dia, aquela do nosso convívio, sorrateira, quando prejudicamos sem dó nem piedade quem atravessa o nosso caminho. A tal maldade, a crueldade, a ação de quem prática o mal, pode vir das mais diversas formas travestida da inveja, da idolatria ao dinheiro, da ira e da vaidade. 

A maldade deve ter de volta o seu peso. Chamo a atenção para o fato de que bondade é bondade e maldade é, e sempre será, maldade! Perdeu-se, há algum tempo, a noção de que os meios “não” justificam os fins. Quem advogava em favor da máxima “os fins justificam os meios” era Maquiavel, em sua obra “O príncipe”. Infelizmente, muitos de nós tornaram-se seguidores desta cartilha colocando-nos acima da ética e da moral, para realizar nossos desejos e alcançar nossos objetivos. Lembremos então que falsidade, injustiça, trapaça e mentira são, e serão sempre, atos de maldade. Não se é falso, injusto, trapaceiro e mentiroso por uma “boa causa”.

Para os cristãos, a “limpeza” já veio 1 vez com o Dilúvio, quando Deus decidiu destruir o mundo por conta da perversidade humana. Prova que, de tempos em tempos, o homem acredita que pode tudo e não haverá consequências. Queria eu que soubéssemos mais o nosso lugar na criação divina. Queria eu lembrássemos mais que o Cristo Jesus, filho de Deus, não veio ao mundo em vão. Queria eu que nunca perdêssemos a vergonha de fazer o mal ao próximo. Desejo a todos um feliz ano novo, onde o mal não seja coisa normal.

Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Ajunto da Universidade Federal do Cariri,
Doutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 26/01/2016

Nenhum comentário: