Após a
aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados, com uma votação folgada, a
sua ratificação pelo Senado parece certa, até para a bancada governista. Assim
ocorrendo, a presidente será afastada, por até 180 dias. Neste período, em que
o Senado faz o julgamento do processo, o vice-presidente assume o comando
de um Brasil econômica e politicamente abalado. Teremos um novo piloto para um
avião com uma turbina pegando fogo e passageiros em pânico. O novo piloto, ou
novo presidente, tem uma difícil missão. Ele precisa trocar a tripulação,
apagar o incêndio e aliviar o peso da aeronave. Tudo isso em pleno voo. Será
que dá para consertar e continuar na rota?
É preciso
ver o lado bom da coisa. A
“piloto” anterior estava sem muitas opções. Tinha
excesso de carga. Trinta e um ministérios e sucursais superlotados de cargos
negociados para obtenção de maioria de votos no congresso nacional, necessários
para aprovação de seus interesses. É difícil administrar sem poder desagradar
tanta gente. Projetos mal concebidos, mal administrados e escândalos de corrupção
vindo a tona, trouxeram prejuízos nunca antes vistos na história deste país. As
“pedaladas” foram expostas e condenadas. Veio a inflação, as demissões, o fechamento
de empresas e a fuga de investidores do Brasil. O povo não aguentou. Os
“passageiros” manifestaram-se aos gritos. Pane geral! O avião ameaça cair. Só a
troca urgente do comandante parecia poder salvar a todos.
No caso do
afastamento da presidente, o novo presidente tem mesmo a chance para mudar a
situação. Apoio ele tem, os números não mentem. Na Câmara apenas 27 por cento
dos deputados votaram pela permanência da atual presidente. O novo presidente é
um influente líder no maior partido político do Brasil, em número de filiados, prefeitos, vereadores,
e tem a maior representação no Congresso Nacional. Há quem defenda que até bem
pouco tempo este partido era de “situação”. A verdade é que, até então, o papel
do vice-presidente era claramente figurativo nas políticas de governo. Era como
um co-piloto experiente que só serviu para checar os
instrumentos antes da decolagem.
O momento é
delicado. Neste caso, a “tripulação” tem de ser escolhida pelo critério de
capacidade profissional. Estes gestores terão de ser os melhores
disponíveis, sejam eles vindos da oposição ou da situação. A máquina tem de ser enxugada ao máximo. O exemplo tem de vir de
cima. A prioridade do governo deve ser o bem-estar do povo. A inflação tem de ser
freada e os investimentos estruturantes tem de ser implantados com precisão
milimétrica. A “lava-jato” tem de continuar e o
judiciário deve ser fortalecido. Esses 180 dias iniciais podem salvar-nos do
desastre eminente. Mais do que uma mera troca de comandantes, o Brasil tem a
oportunidade de mostrar ao mundo que, para continuar na rota certa, tem um povo
que cobra e resolve suas “panes” em pleno voo.
Dimas de Castro e Silva Neto
Professor Ajunto da Universidade
Federal do CaririDoutorando em Eng. Civil na Universidade de Aveiro
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 10/05/2016

2 comentários:
Muito boa e explicativa a sua análise da situação atual de nosso país. Realmente,
foi uma situação muito difícil de governabilidade da atual gestora, porém, recheada de muita corrupção com sua conivência e participação. Só nos resta esperar do novo presidente mais responsabilidade e comprometimento com o povo brasileiro. Que Deus abençoe nosso país!
Obrigado primo!
O momento é delicadíssimo e não há espaço para "gambiarras". Se a presidenta for afastadas mesmo o substituto tem de convocar o melhor do melhor e apertar o cinto!
Grande abraço!!!
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