quinta-feira, 6 de novembro de 2008

CIDADÃO COMUM: REFLEXÕES SOBRE A CRISE

A população mundial foi surpreendida, há pouco mais de um mês, por uma crise financeira mundial sem precedentes. Para o mercado financeiro americano, uma crise esperada visto que, via de regra, banco que não recebe pagamento de seus empréstimos não paga suas contas e: quebra! Mas o que não se esperava era o efeito dominó mundial. Pelo menos nestas proporções. Nós, felizes cidadãos comuns brasileiros, fomos pegos de surpresa.

A “moda” de investir em ações tem pouco tempo, pelo menos para, a pura, classe média brasileira acostumada a aplicar suas economias em caderneta de poupança, ou arriscar-se em alguma aplicação de médio prazo. Lembro que, no início, muitos se gabavam de terem adquirido ações de empresas como PETROBRÁS e VALE, investimento de retorno rápido e garantido. Ultimamente, era comum, nas rodas de conversa, alguém dizer que estava aprendendo a comprar e vender ações pela internet, como se fosse uma onda sem volta. Complementarmente, fazia muito, mas muito tempo mesmo, que não via alguém dizer que compraria dólares, a não ser pra viajar para os Estados Unidos, destino também em moda graças à “valorização” do real.

Hoje, o que percebo é que todos, economistas e entendidos, dizem ser esta uma crise horrível, mas pouco sugerem à população o que fazer. Uns dão a entender que não se deve deixar de consumir, o que traria o desemprego. Outros ainda, com ar de incerteza, dizem que é hora de economizar visto o panorama incerto. Ou seja, a população não parece saber ainda como agir: gastar ou poupar? Estocar? Aplicar? Em que? Ninguém arrisca! Ninguém ainda sente no bolso os efeitos da crise. O combustível, os alimentos, os aluguéis, os materiais de construção, nada ainda sofreu aumento representativo. Não aconteceram, ainda, demissões em massa ou coisa parecida. Ou seja, pra quem não tinha dinheiro em ações ou tem que comprar dólares, esta crise ainda não chegou.

Penso que a crise é um momento onde muitos perdem, porém sempre há uma maneira de alguém sair fortalecido. O próprio E.U.A. aproveitou-se de momentos extremamente delicados como a primeira e segunda guerra mundiais para se consolidar como maior potência mundial. Quem sabe esta não é a oportunidade do Brasil destacar-se, deixar sua marca, por incrível que possa parecer? Parece que o Governo Federal começou a enxergar isso aumentando o crédito para os setores agrícola e da construção. Outra ação importante, a meu ver, seria a diminuição dos impostos, e facilitação do crédito, as empresas interessadas no mercado interno para que estes produtos tenham preços mais interessantes, vendam mais e, conseqüentemente, não seja necessário haver demissões e assim haja uma compensação da diminuição das exportações. Ao final, dependeríamos muito menos dos consumidores externos e nos “blindaríamos” de futuras, possíveis, crises externas.


Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Artigo publicado no Jornal do Cariri de 11/11/2008 e nos Blogs: Cariri Agora (http://www.caririag.blogspot.com/) de 13/11/2008 e no Blog do Crato (http://blogdocrato.blogspot.com/) de 13/11/2008.

4 comentários:

Joaquim Torres disse...

Dimas, Parabéns pela maneira simples como o assunto foi abordado, principalmente quando se fala em economês.
jtorres

Anônimo disse...

Sabe o que mais me chama atenção nessa crise? Essa lógica descabida da economia política deste País. E olhe que sou economista! Vejam: quando não havia ainda essa crise, nós brasileiros e brasileiras (não lembra algum personagem da nossa história!) já pagávamos as taxas de juros mais alto do mundo. A justificativa era conter a inflação. Não tínhamos nem inflação nem crise, e nossa inadimplência era mínima. Agora estão restringindo o crédito, elevando ainda mais as taxas de juros (já altíssimas!) com a alegativa de conter os efeitos da crise mundial. Ora, nada temos a ver com as causas da crise, que iniciou-se no mercado imobiliário americano. Porque então temos que pagar por algo que não somos os responsáveis? Sei que no atual mundo globalizado os efeitos atingem a todos. Mas, com relação aos juros interno, já pagávamos absurdos e nossas contas, de certo modo, eram sanadas em dia. Acontece que os grandes aglomerados econômicos mundiais produzem para o mercado internacional (mercado interno é fichinha desprezível), e como ha uma crise de liquidez lá fora (dívida, inadimplência), as empresas transnacionais e o sistema financeiro procuram compensar prováveis perdas com o aumento dos juros para um mercado (diga-se população) que nada tem haver com a crise. O mercado interno brasileiro. É uma lógica injusta, descabida e, mais uma vez, conservadora do domínio econômico do capital especulativo.

abraço,

César Rêgo

Suely Salgueiro Chacon disse...

Oi, meu amigo!
Que bom termos canais como o seu para debatermos e refletirmos mais sobre nossa realidade.
Parabéns!!!

Ednaldo Morais disse...

As crises sao ciclicas e vemos repetir 1929, reler Keynes e repensar sobre um novo Breton Woods. Todos perdemos porque o "sistema" possue essa forma de distribuir os prejuizos, mas, poderemos ganhar, quando governos do mundo inteiro encontrarem uma forma de controlar o capital especulativo, sem engessar o capital produtivo fundamental para o crescimento dos povos. Distribui-se riquezas, porque a miseria já é bem distribuida.

Ednaldo Morais - Economista e aluno do Curso de Espec em Gerenciamento da Const Civil-URCA