terça-feira, 20 de maio de 2008

Crédito na praça ou dinheiro no bolso?

Todos os dias, os comerciais de televisão trazem aos nossos olhos centenas de ”ofertas”, “promoções”, “liquidações” e dizeres como: ”enquanto durar o estoque!”
Dinheiro pra quem quiser! Eletro-domésticos, carros, móveis e a própria casa também!
Entendo... a economia está estabilizada, a inflação não nos causa tantas surpresas como há recentes 14 anos e, conseqüentemente, há mais emprego e a renda familiar aumentou, mas essa onda de “compra-compra” vai passar?
Tem gente se aproveitando disso?
Quem está perdendo com tudo isso?

O Brasil não via um crescimento destes desde o “milagre econômico”, no início dos anos 70. A expansão da indústria e o aumento do poder de compra do salário mínimo trouxeram dinheiro à praça. As financeiras nunca foram tantas e emprestaram tanto. As lojas de eletro-doméstico e móveis multiplicaram-se, viraram redes! A indústria automobilística brasileira bate recordes de vendas ano após ano.

Os sonhos estão se tornando realidade. Há dez anos a primeira TV colorida com controle remoto, depois o Sistema de Som, Parabólica, DVD e agora a onda da geladeira e da então inimaginável lavadora-de-roupas! Carro novo não é mais para poucos. Pode-se sair da concessionária sem nada de entrada e prestações bem pequenas. Foi-se o tempo em que a Caixa Econômica era a única possibilidade de financiamento de imóvel. Muitos bancos financiam imóveis através inclusive de consórcio. Crédito fácil, facílimo! Financiamentos e empréstimos em “quantas” vezes você quiser! Quem já se viu? 30 anos pra pagar alguma coisa no Brasil? Financeiras, bancos, lojas e montadoras estão tornando possível o sonho de muita gente, mas essa gente sabe mesmo o valor que paga pelo bem?

Paga-se muito! Os juros embutidos fazem o valor final muitas vezes superar o dobro do valor da mercadoria paga à vista. Apesar de o brasileiro entender um pouco de economia, devido aos anos de inflação galopante, a febre do consumo parece ter apagado da memória a importância de poupar, economizar, juntar e pagar no dinheiro, “cash”. Quem paga à vista, não perde dinheiro. Quem compra à prazo deve fazê-lo caso necessite. Cada um deveria saber que o orçamento doméstico é limitado e que a capacidade de comprometimento uma hora acaba! Receio que muita gente não atenta pra isso. A inadimplência parece ser o caminho a ser trilhado e com ela a “quebradeira”, inflação, desemprego.

Compremos mais!
Compremos melhor!
Compremos à vista!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA

Artigo publicado no Jornal do Cariri de 20/05/2008.

2 comentários:

Karine disse...

É... Posso te dizer que estou vendo bem isso aqui na Espanha. Os últimos anos os bancos se empenharam e conceder créditos à todo mundo, com juros, claro. No final todo mundo tem algum crédito. Resultado: todo mundo endividado e esse ano vai ser o pior recente para economia. Taxa de desemprego mais alta em 34 anos! O que se espera e que já está acontecendo: dívidas e impagos dos creditos, menos dinheiro na rua e crescimento negativo das espectativas economicas...
Deveriamos todos ser concientes de que disponibilidade de dinheiro existe, o que não existe é a conciencia de que temos que pagar... e caro!

Emil disse...

É claro que a administração das despesas é de cada pessoa. Cada um sabe o quanto ganha e quanto pode comprometer do seu orçamento. Mas essa facilidade toda de crédito que existe hoje em dia, para aqueles mais "fracos" torna-se uma verdadeira tentação. O que justifica uma administradora de cartões de crédito conceder um limite de crédito igual a R$5.000,00 para uma pessoa que só tem uma renda mensal comprovada de R$500,00? Isso, no meu entender, só tem um nome: ESPERTEZA! Obviamente, quem gastar além de suas possibilidades, vai entrar no rotativo, com pagamento do valor mínimo e é aí que muita gente entra pelo cano. E uma vez feito isso, as administradoras não irão alisar. Cada centavo de juros devido terá de ser pago, sob o risco de ir parar nos sistemas de proteção ao crédito. Pessoal, abram os olhos! Vale mais a pena um pouco de esforço no sentido de adquirir um bem à vista, buscar o melhor desconto para o pagamento em "cash" do que cair nos crediários, prestações, pagamento mínimo de cartão, etc.