
A Rio 2016 acabou e o sonho de sediar os jogos olímpicos
tornou-se real. As obras de infraestrutura atrasaram e houve problemas na
acomodação das delegações, mas sem atrasos não seria Brasil. A abertura e o
encerramento foram lindos. Afinal de contas, de carnaval o carioca entende. A
organização durante os jogos cumpriu seu papel e, graças a Deus, os terroristas
não pintaram por aqui. Agora é hora de saber se o desempenho dos anfitriões foi
o esperado, quanto custou esse sonho e qual legado foi deixado.
Ganhamos 19 medalhas. Fomos o 13º colocado. Foi o melhor
desempenho de todos os tempos. Até então, o 16º lugar em Atenas tinha sido
nossa melhor colocação. Considerando o investimento na estrutura dos jogos e a
torcida a favor, subir 3 posições e ganhar 2 medalhas a mais do que Londres
2012, foi decepcionante. Os Estados Unidos, campeão desta olimpíada, conquistou
sua milésima medalha. O Brasil só tem 128. O segredo deles é a formação nas
escolas, com diversidade de esportes e incentivo a prática. As universidades
oferecem bolsas para os melhores atletas, boas instalações e treinadores. Há
campeonatos, ligas e patrocinadores que vêem no esporte o retorno financeiro
pela divulgação de suas marcas.
Em Outubro de 2009, o Brasil foi escolhido para sediar os
jogos. Seriam 7 anos para preparar uma geração de atletas capazes de disputar
medalhas com os melhores do mundo. Mas não foi bem assim. A Olimpíada custou
mais de 38 bilhões de reais. A grosso modo, 2 bilhões por medalha. Meio caro
né? A Inglaterra, 2ª colocada, terminou os jogos com 67 medalhas, investindo
neste ciclo 1.5 bilhão de reais. Tudo bem que fomos a sede e tivemos que
incorrer em todo seu custo, mas deveríamos ou podíamos pagar uma festa destas,
“pra inglês ver”?
Pagamos não só uma, mas duas festas, contabilizando a
COPA. Pois é, acabou a festa e agora quem vai pagar a conta somos nós. As
parcerias público privadas, firmadas para viabilizar os projetos, tem de ser
pagas. Os estádios estão ai subutilizados. Infelizmente, a exceção de alguns poucos
esportes, quem decide ser atleta de alta performance no Brasil continua fadado
a realidade da falta de estrutura física, treinadores e patrocinadores. Confirmando
a citação latina do poeta romano Juvenal “mens
sana in corpo sano” , educação e
esporte deveriam estar intimamente ligados. Este era o legado que nossos
governantes deviam-nos ter deixado.
Dimas de Castro e Silva Neto
Professor adjunto da Universidade Federal do Cariri
Doutorando na Universidade de Aveiro.
Artigo publicado no caderno OPINIÃO do Jornal "O POVO" de 12/09/2016
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2016/09/12/noticiasjornalopiniao,3658161/olimpiada-para-ingles-ver.shtml#.V9ZspNwLes4.facebook
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